20.11.05

Em homenagem à Púrpura, que em seu caminho pôde notar a sutileza amiga da solidão, na conversa com seres inanimados e animados, numa demonstração de sanidade profunda, madura e sensível!
"Nietzche também tinha a solidão como sua companheira. Sozinho, doente, tinha enxaquecas terríveis que duravam três dias e o deixavam cego. Ele tirava suas alegrias de longas caminhadas pelas montanhas, da música e de uns poucos livros que ele amava. Eis aí três companheiras maravilhosas! Vejo, freqüentemente, pessoas que caminham por razões de saúde. Incapazes de caminhar sozinhas, vão aos pares, aos bandos. e vão falando, falando sem ver o mundo maravilhoso que as cerca. Falam porque não suportariam caminhar sozinhas. E, por isso mesmo, perdem a maior alegria das caminhadas, que é alegria de estar em comunhão com a natureza. Elas não vêem as árvores, nem as flores, nem as nuvens, nem sentem o vento. Que troca infeliz! Trocam as vozes do silêncio pelo falatório vulgar. Se estivessem a sós com a natureza, em silêncio, sua solidão se tornaria possível que elas ouvissem o que a natureza tem a dizer." (Da crônica A Solidão amiga de Rubem Alves)

2 Comments:

Blogger Caramelo said...

Lindo.

7:14 PM  
Anonymous Anônimo said...

nossa, mel. esse texto disse tudo que, depois de quebrar um pouco a cabeça, intui. Legal. Me deixou mais convicta. Obrigada pela homenagem!

2:49 AM  

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