ANO NOVO
Quando eu era criança, adorava ano novo. Os números mudavam: eu ia ficar mais velha, na escola era uma série a mais, a data nos cadernos era diferente...
No ano novo eu saía pra comprar material novo pra escola, uniforme novo, tênis novo (mesmo que fosse o que ficou pequeno nos meus irmãos: eu estava ficando grande), roupas novas pras festas, ouvia mensagens de paz e esperança por todos os lados, teria novidades na escola, ía conhecer colegas novos, reencontrar os velhos...
Nossa! Era bom demais!
Hoje, eu não sei se é exatamente triste, mas não tem tanta magia.
Minha mãe não vai mais cuidar dos meus assuntos. Agora tudo depende de mim. Quando olho pro ano que passou, vejo o peso maior que tudo tem. Revejo meus fracassos, minhas conquistas, faço promessas de uma vida melhor, uma pessoa melhor...
Mas dá medo sabia?
Então, me lembro de uma promessa que fiz com uma amiga-irmã, quando éramos adolescentes: "não vou virar 'gente grande', não quero ser chata, séria e carrancuca. Vou ser responsável, mas alegre e besta como sempre. Não vou deixar de ver tudo brilhante e colorido."
Esse jeito apaixonado do adolescente de ver o mundo.
É isso. Acho que o medo que sinto, não é dos problemas, não é do que tenho pra enfrentar, mas sim o medo de perder a paixão pela vida, medo de deixar um ano passar e levar 365 dias que poderiam ser lindos.
Então pra 2006, minha promessa é de continuar curtindo os pequenos detalhes como sempre, ou até melhor, e aprender com tudo. E o meu desejo é que cada um descubra a melhor forma de levar a sua vida, não indo em busca da felicidade, mas vivendo-a em cada momento.

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