22.11.05

Fiquei surpresa ao ouvir que eu a surpreendia sempre, por fazer exatamente o que ela esperava.

21.11.05

PERGUNTO


Sentimento.

Tem coisa mais louca? Onde fica o sentimento?

No coração? Na cabeça?

Numa outra dimensão? Num espaço entre dois? Dentro dos dois?

Só num deles? Em nenhum deles?

E controlar os sentimentos?

Tem como?

Amenizar, disfarçar, direcionar...

É.

Talvez sejam formas de controle, enfim...

Mas quem pode controlar o sentimento?

Não acho que outro possa controlar os meus sentimentos.

Talvez possa movimentá-los, não sei.

Pense no amor.

Alguém pode provocar, mas não criar o amor em mim.

Pode me dar todos os motivos pra fazer o amor nascer, mas não pode inventá-lo.

Pode alimentá-lo pra fazê-lo crescer forte, mas não pode obrigá-lo a ser grande.

Pode ser criativo pra deixá-lo sempre com uma nova cor, mas não exigir que seja assim ou assim...

E pode até ser meu objeto de amor, e nem saber que ele nasceu e cresce aos poucos dentro de mim.

O contrário também pode acontecer.

Alguém pode deixar de cuidar do meu amor, até que ele se transforme em outro sentimento.

Pode ignorá-lo, até que se envergonhe e se esconda.

Pode menosprezá-lo, até que, realmente, perca seu valor.

Pode feri-lo, até que se recolha.

Mas nunca me impedir de amar, ou simplesmente tirar o amor de mim.

Poderiam fazer qualquer coisa com o corpo de um amante, que não conseguiriam arrancar seu amor, embora este esteja impregnado por todo o corpo.


Como alguém pode tentar destruir o amor, se não se sabe nem onde ele existe?


Talvez essa seja a questão.

O amor, quando surge, toma posse de tudo.

Ele está nos pensamentos.

Nas lembranças, nos planos, nas fantasias...

Ele está nos outros sentimentos.

No medo, na certeza, no êxtase..

Está em todo o corpo.

Nas mãos, nos olhos, na boca, na respiração, entre as pernas...

Está nos sentidos.

Num perfume, numa música, num vinho, no frio...

Até fora da gente.

No copo, na janela, naquela rua, na cama...

E mesmo que alguém fosse capaz de arrancá-lo de todos esses lugares, ainda assim, ele encontraria uma forma de existir.

É inútil ir contra.

Por isso, deixo que ocupe o lugar quiser, me rendo.

O único que posso fazer é brincar com ele e deixar que ele brinque comigo.

Viver o amor, até que decida me deixar.

E não tenho pressa, porque isso pode levar algumas vidas, ou pode nunca acontecer.

20.11.05

Em homenagem à Púrpura, que em seu caminho pôde notar a sutileza amiga da solidão, na conversa com seres inanimados e animados, numa demonstração de sanidade profunda, madura e sensível!
"Nietzche também tinha a solidão como sua companheira. Sozinho, doente, tinha enxaquecas terríveis que duravam três dias e o deixavam cego. Ele tirava suas alegrias de longas caminhadas pelas montanhas, da música e de uns poucos livros que ele amava. Eis aí três companheiras maravilhosas! Vejo, freqüentemente, pessoas que caminham por razões de saúde. Incapazes de caminhar sozinhas, vão aos pares, aos bandos. e vão falando, falando sem ver o mundo maravilhoso que as cerca. Falam porque não suportariam caminhar sozinhas. E, por isso mesmo, perdem a maior alegria das caminhadas, que é alegria de estar em comunhão com a natureza. Elas não vêem as árvores, nem as flores, nem as nuvens, nem sentem o vento. Que troca infeliz! Trocam as vozes do silêncio pelo falatório vulgar. Se estivessem a sós com a natureza, em silêncio, sua solidão se tornaria possível que elas ouvissem o que a natureza tem a dizer." (Da crônica A Solidão amiga de Rubem Alves)

Prazeres

"A primeira olhada na janela de manhã,
O velho livro de novo encontrado.
Rostos entusiasmados.
Neve, a mudança das estações.
O jornal.
O cão.
Tomar banho.
Nadar.
Velha música.
Sapato confortável.
Perceber.
Nova música.
Escrever, plantar.
VIajar.
Cantar.
Ser amigo."
Brecht

Meus "prazeres", além dos do Brecht

Música pra acordar.
Girassol.
Ovo mexido.
Andar.
Frango com quiabo.
Cheiro de mato.
Praia deserta.
Gosto de sal no corpo.
Criança brincando.
Poesia.
Livro rabiscado.
Sambinha.
Coração acelerado.
Beijo de namorado.
Conversinha com cerveja.
Amigos emaranhados.


12.11.05

Uma garota "descolex".
Ser descolex é transitar bem nos mundos hetero e homo, sem qualquer preconceito, como deveria sempre acontecer. É dançar Tati quebra barraco fazendo muito "agachamento profundo" e no dia seguinte ouvir Piazzolla com toda a sofreguidão da alma. É viajar por mares nunca dantes visto sem frescura, ficando "porquita" se for preciso. Mas também usar creminhos Victoria Secret, Maquiagem MAC e perfumes franceses sem medo de ser feliz! A garota descolex conhece bem regras de etiquetas, devendo saber que muitas vezes não usá-las é fundamental! Ela se informa, lê poesia, autores que lhe emocionam, mas sofre também do mal do consumismo: se olhar um jeans DIESEL vai comprar! É claro que se a conta não estiver estourada, porque caso contrário será uma DESCOlex meio DESCOntrolada, embora os radicais se encontrem um pouquinho. Já pensou: DESCOLEX + DESCONTROLADA? Que medo! Enfim, a garota descolex é aquela que passeia em perfeita tranqüilidade por meios diversos, parecendo muitas vezes que não tem muito estilo, no melhor esquema "camaleoa". Mas talvez a idéia seja essa aí!

Ps: gostou Amore? Afinal, a criação é sua!

Descobri um elo perdido,
deixado em BH,
que vive revolto,
a me procurar.
Do elo perdido
restaram amizades,
sempre a me emocionar!