9.10.05

Outro dia ouvi alguém dizer que o medo atrai coisas negativas. Sei por outro lado que ser muito destemido pode render uma boa encrenca. Portanto, uma boa dose de cautela não faz mal a ninguém. Mas se encher de muito medo, por favor, não! Ele te impede da descoberta do novo, da entrega ao inusitado, enfim de acontecimentos deliciosos e divertidos que não estavam nem um pouco marcados na agenda do cotidiano. Eu seguramente sou vítima do medo, mas procuro deixar com que passe bem longe de mim. E não é que em todas às vezes (todas de verdade) me surpreendo com situações especiais e que ficarão eternamente gravadas na minha memória. Um exemplo recente: estava eu na fila do aeroporto em Bogotá, quando recebo a notícia de que só irei embarcar cinco horas depois. Um moço do meu lado, irritado tanto quanto eu com o problema, vira pra mim e diz: “eu sou brasileiro, moro aqui e a balada dessa cidade é maravilhosa. Topa, ao invés de irmos a um hotel, sair por aqui?” Eu não pensei muito em dizer SIM, porque se refletisse um pouquinho mais o medo poderia bater forte. Afinal, eu estava na Colômbia, um país que mete muito medo pela guerrilha, drogas e tudo que todo mundo já sabe. Então, procurei deixar o tal MEDO mais uma vez longe de mim e aceitei o convite. Não morri, ninguém colocou droga na minha mochila e passei uma noite muito especial, rindo bastante e ainda de quebra fiz um amigo. E assim, a cada dia, sigo reforçada pela idéia de que o MEDO deve morar bem longe dos meus sentimentos, que próximos apenas da cautela, não me impedem de continuar dando azo ao acaso!