Tem situações que por mais que sejam totalmente inéditas, me fazem ter sensações exatamente iguais a sensações que tinha quando era pequena. Quando acontece alguma coisa muito ruim, até a cor das coisas fica mais cinza, meu corpo fica pequeno e pesado, todas as saídas levam a ‘lugar nenhum’, não vão me ajudar a escapar. Talvez porque minha vontade seja de escapar de mim mesma e isso, pro meu desespero, não dá. A minha companhia fica insuportável. Seja por vergonha do que fiz, seja por uma mágoa, seja por medo, a vontade que dá é a de não ser eu, pelo menos não hoje. Vontade de poder não estar aqui até a poeira baixar, pra não ter que sentir a dor, ou ter que pensar em alguma coisa, ou mesmo encarar alguém. Dá vontade de que outra pessoa tome conta da situação e resolva enquanto eu vou ali. Queria chegar e ver tudo resolvido, mal entendidos esclarecidos, machucados curados, vexames esquecidos, mágoas perdoadas, tudo no seu devido lugar.
E é nessas horas, em que me sinto pequena e indefesa, que me obrigo a encarar. E então dá um estalo e me faço forte, respiro e sinto o meu corpo preenchido com algo mais. E depois que tomo uma atitude, por mais que eu nem saiba o que esteja fazendo, tudo aquilo que me amendrotava começa a ficar pequeno e, com mais um pouquinho, passa.
E é aí que me sinto grande. Mesmo que daqui a pouco algo me faça encolher de novo, AGORA eu estou grande.

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