Vamos lá. Eis que se inicia um grande espetáculo. Alguns a protagonizarem personagens loucos, outros a se fazerem passar por bons, outros por maus. E alguns se passando silenciosamente por muito equilibrados, a tecerem olhar crítico sobre toda a massa de “desvairados” que os circunda. E estes tais equilibrados não se arvoram a se declararem equilibrados porque o sentimento de equilíbrio que lhes persegue não lhes permite tamanha vaidade. Mas um olhar mais acurado sobre a forma com que se relacionam com o mundo permite alçar o título que se lhe dão. Fica notório que se acham equilibrados. Fica notório que depositam no outro, diferente deles, um olhar de compaixão. Mas, e nós, os outros, os tais desequilibrados? Será que seremos rechaçados ou alguma alma verdadeiramente equilibrada encontrará em nós encanto? Não quero compreensão, olhar de consternação! Quero intensidade, quero que o equilíbrio, que se um dia vier, me traga mais desequilíbrio, para que nessa profusão de sentimentos eu me reinvente, saia melhor. E que se lixe a compaixão pelo desequilíbrio, o ar de superioridade. Perdoe-me a citação, mas impossível não fazê-la. “Amava esse curto-circuito. Provocava-o para que a perfeição pudesse atingir-se com um só jato de riso – louca brincadeira de um Deus trocista e permissivo.” (Inêz Pedrosa) E que a arrogância dos que nos olham de forma paternalista transforme-os em seres inaldíveis. E eis que surgirá a grande descoberta, a de que os mais equilibrados, que se julgam como tal, são egoístas e pretendem-se melhores. Que vaguem longe de mim, porque prefiro meus comparsas, os loucos, desequilibrados, que na sua humildade, exalam mais felicidade, mais paixão, mais encantamento.

2 Comments:
Mas louco é quem me diz! E não é feliz!
Engraçado que hoje de manhã, enquanto dirigia, eu vim cantando 'Maluco Beleza' do Raul Seixas, com aquela vontade de mandar todos os 'normais' pra longe de mim.
Sincronicidade!
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